Author - Javier Rojas

Diálogo Chino • A batalha dos jumentos

Desde que uma decisão judicial proibiu o abate de jumentos na Bahia em novembro, o restaurante de José Bispo dos Santos, na cidade de Amargosa, vive às moscas. Boa parte dos clientes de Santos, ou Zeca de Patrão, como é conhecido pelos amigos, trabalhava no matadouro da cidade e perdeu o emprego.

O matadouro Frinordeste existia desde junho de 2017, depois que o abate de jumentos fora regulamentado na Bahia como parte de uma negociação internacional entre diplomatas brasileiros e chineses. Os chineses usam o couro do jumento para fabricar ejiao, um remédio que, acredita-se, combate desde o envelhecimento até a falta de apetite sexual das mulheres. Eles também comem a carne do animal.

Mas apreciar um hambúrguer de jumento, comum nas ruas de Pequim, é algo impensável para o baiano Zeca. Apesar dos prejuízos – além da queda no movimento no restaurante, o filho dele, Luiz Fernando da Cruz, foi um dos que perderam o emprego no frigorífico – ele é contra o abate agora proibido.

“Os jumentos ajudaram muito meus antepassados, trabalhado”, disse. “O pessoal aqui é fiel ao jegue”.

Jumentos estão no centro de uma batalha judicial que expõe como diferenças culturais podem ter um peso em questões de comércio internacional — e como o apetite chinês por ejiao causa temores por todo o mundo de que a extinção do jumento seja uma ameaça real.

A demanda por importação de couro pela China está crescendo. Apesar de o país produzir 1,8 milhão peles por ano, seu consumo é de 4 milhões. Com isso, a China passou a comprar couro de jumento de diversos países em desenvolvimento. A proibição de novembro torna o Brasil o último em uma lista de mais 15 países que baniram o abate de jumentos — a maioria na África.

Mas, diferente de Zeca, quem lucra com o abate de jumentos está longe de desistir da batalha no Brasil.

Uma conta que não fecha Tudo começou com uma portaria publicada pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, Adab. O documento, com apenas nove artigos, poderia ter se perdido no meio de tantos outros publicados no Diário Oficial de 29 de junho de 2016. Não foi o que aconteceu. Ao regulamentar o abate de jumentos, muares e bardotos em todo território baiano, aqueles poucos artigos mexeram em um vespeiro, tornando-se o estopim para uma acirrada batalha jurídica, econômica e ética.

O documento pretendia resolver o problema histórico dos animais errantes que, “além de provocar acidentes rodoviários, poderiam servir de agentes disseminadores de doenças”.

Apesar de considerados símbolos do Nordeste, nos últimos anos os animais foram largamente abandonados, substituídos por um meio de transporte muito mais rápido, se menos amigável: a motocicleta. No Ceará, o problema se tornou tão grave, que o departamento de trânsito local frequentemente envia equipe para recolher os animais abandonados e evitar acidentes de trânsito. Só no último feriado de ano novo, foram 115 jumentos recolhidos.

Mas a portaria era mais que uma resposta a um novo problema social. Ela dava o sinal verde para o início de um projeto que vinha sendo articulado por empresários e pelo governo baiano há anos: a exportação de carne e couro de jumentos para a China. Um negócio que, na época, a então ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou que poderia chegar na casa dos três bilhões de dólares. A articulação existia pelo menos desde 2012, quando foi assinado um acordo comercial sobre jumentos entre China e Brasil.

Dias depois da portaria entrar em vigor, a empresa FrigoCezar, no município de Miguel Calmon/BA, iniciou o abate. Só na primeira semana foram mortos aproximadamente 300 jumentos. Um ano depois, em 26 de junho de 2017, em uma solenidade que contou até com o governador da Bahia, Rui Costa, era inaugurado o frigorífico Frinordeste, vizinho do restaurante de Zé do Patrão.

O empreendimento, feito em parceria com os chineses, começou a funcionar gerando 150 empregos diretos, 270 indiretos e com a expectativa de produzir e exportar mensalmente 300 toneladas de carne para o mercado asiático.

O Frinordeste é uma sociedade formada por uma empresa brasileira e dois sócios chineses: Zhen Yongwei e Ran Yang. Ambos residem na China, e não foram localizados pela reportagem. A reportagem tentou entrar com seu representante legal no país, mas não obteve retorno.

Na esteira do Frinordeste, mais dois frigoríficos começaram a operar no abate de jumentos na Bahia: o Cabra Forte, em Simões Filho, e o Sudoeste, em Itapetinga. O primeiro em dezembro de 2017 e o segundo em agosto de 2018.

Do ponto de vista econômico, a incipiente cadeia produtiva caminhava bem. Somando os três frigoríficos – únicos no Brasil autorizados para o abate de jumentos– foram criados 376 empregos diretos e 1.360 indiretos, segundo dados do governo da Bahia. Além disso, a cadeia produtiva gerava emprego e renda para mais de 500 produtores, vaqueiros e ajudantes na coleta de jumentos abandonados nas diversas regiões do estado.

Mas os argumentos econômicos não convenceram os defensores dos animais, organizados globalmente. Depois de contestar a portaria de 2016 sem sucesso, eles continuaram protestando e, principalmente, brigando na Justiça. Até que, em 30 de novembro de 2018, a juíza Arali Maciel Duarte, da 1ª Vara Federal, em Salvador, concedeu liminar proibindo o abate de jumentos em todo território da Bahia.

A decisão resultou de uma ação civil pública contra a União e o Estado da Bahia, de autoria da União Defensora dos Animais – Bicho Feliz, da Rede de Mobilização pela Causa Animal, do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, da SOS Animais de Rua e da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos.

Um fato foi decisivo para que a juíza Arali Maciel suspendesse o abate de jumentos. Em 4 de setembro de 2018, mais de 200 animais foram encontrados mortos, provavelmente de fome e sede, em uma fazenda na zona rural de Itapetinga/BA.

O local servia para o confinamento de jumentos antes de serem abatidos no Frigorífico Sudoeste. O caso teve ampla repercussão na mídia e chocou a opinião pública baiana.

Na argumentação, a juíza fala dos maus-tratos sofridos pelos animais na “captura”, durante o transporte e, principalmente, no confinamento. A magistrada demonstrou, ainda, preocupação com questões de saúde pública. Ao não serem cumpridas todas as exigências legais no processo de abate dos jumentos, eles poderiam se tornar transmissor de doenças, argumentou.

Mas foi em uma uma conta rápida, usando dados do Conselho Regional de Veterinária e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que a juíza construiu seu principal argumento: o plano das novas empresas de abater 200 mil animais por ano poderia levar a extinção dos jumentos nordestinos.

“Com uma estimativa de população atual de 600.000 animais no Nordeste, considerando o ritmo de abate, nos próximos [3] anos a população de jumentos nordestinos estará extinta!”, escreveu.

O governo da Bahia, por meio da Procuradoria Geral do Estado, tentou derrubar a liminar e restabelecer o abate dos jumentos. Na argumentação, Marcos Sampaio, Procurador Geral do Estado, diz que a juíza extrapolou sua competência administrativa mandando paralisar toda uma cadeia produtiva relevante, “produto de acordos privados e compromissos públicos assumidos internacionalmente” pelo governo da Bahia.

Para o procurador, a proibição do abate nada faria para dirimir a crise que matava os jumentos de fome e sede. “Quando um agente econômico ou público comete uma irregularidade, a ordem não pode ser de proibição da atividade desempenhada, mas de exigir a correção da atitude”.

A decisão foi mantida em segunda instância. Mas a batalha legal continua.

Negócio empacado Enquanto as entidades protetoras dos animais comemoram a vitória parcial na Justiça Federal, os empresários contabilizam os prejuízos. Ainda é difícil dimensionar seu tamanho.Falta transparência em boa parte da cadeia produtiva de carne e couro de jumentos. Entre as empresas, a regra é o silêncio e a falta de clareza na condução dos negócios. Só para se ter uma ideia, dos três frigoríficos autorizados, apenas o de Simões Filho tem página na internet e canal de comunicação com os clientes.

Dados do Ministério da Agricultura, levantados pelo jornal Correio da Bahia, apontam que os três frigoríficos autorizados para o abate de jumentos exportaram mais de 25 mil toneladas de carne e couro de “cavalos, asininos e muares”, com uma receita próxima a 40 milhões de dólares, em 2018, para Vietnã e Hong Kong.

Reginaldo Filho, proprietário do Cabra Forte, em Simões Filho, trabalha com abate de animais desde 1997, quando sua família adquiriu o frigorífico que na época operava com bovinos e suínos. Em 2015, ele realizou um estudo para atestar a viabilidade econômica do abate de equídeos (jumentos, muares e bardotos), chegando até a visitar a China. Em dezembro de 2017, após conseguir autorização do Serviço de Inspeção Federal, começou a operar.

Quando veio a proibição, o Cabra Forte abatia cerca de 200 jumentos por dia, de segunda a sexta-feira, com capacidade instalada para chegar a 500. Para isso, contava com 180 funcionários –120 perderam o emprego depois da decisão da justiça. Segundo Reginaldo, o investimento total no projeto foi de cerca de 1,5 milhão de dólares.

Com um ano de funcionamento, o negócio comandado por Reginaldo ainda não dava lucro. Em média, com a exportação do couro e da carne, a previsão de receita era de R$ 370 por animal abatido. O problema é que, por questões “burocráticas” (faltava alguns certificados), o Cabra Forte não conseguia vender direto para a China, tendo que negociar com Hong Kong e com o Vietnã, cujas empresas atuavam como intermediários. Caso exportasse direto para a China, como era o caso do frigorífico de Amargosa/BA, a receita subiria para R$ 870 por animal. “Havia uma luz no fim do túnel”, lamenta Reginaldo.

O principal interesse dos importadores chineses é o couro. Dele é retirada uma substância que serve de princípio ativo para fazer o ejiao. Seu preço vem subindo, junto com sua popularidade, nos últimos anos. Hoje, .uma caixa com 250 gramas do produto custa em torno de 180 dólares.

Além da exportação da carne e do couro de jumento, a proibição também afetou outro projeto que o frigorífico Cabra Forte vinha tocando. Inspirado no que viu quando visitou a China, Reginaldo se preparava para inaugurar um centro de equoterapia que atenderia crianças com deficiências ou necessidades especiais, utilizando os animais que não passassem na triagem para o abate.

Além de uma fonte extra de recursos e do aproveitamento de animais que não seriam aproveitados (abaixo do peso ou prenhe), o centro também funcionaria como um projeto social da empresa ao atender gratuitamente crianças das comunidades vizinhas ao frigorífico.

Reginaldo Filho discorda da proibição do abate, mas prefere evitar polêmica. “Tá tudo lá no processo”. Mesmo assim, reclama da demora para se chegar a uma decisão. Segundo ele, isso gera insegurança para quem quer investir no negócio. Reginaldo ressalta que cumpre com todas as normas e está pagando pelos erros dos outros. “Só quem deveria ser punido é quem fez algo errado”.

Ruim para os empresários, pior para os trabalhadores e para os pequenos comerciantes que prosperaram em torno dos frigoríficos . Em Amargosa, por exemplo, cerca de 150 pessoas perderam o emprego com a paralisação das atividades do Frinordeste — incluindo o filho de Zeca do Patrão, dono do restaurante local. Outros 270 postos de trabalhos indiretos também foram fechados.

Lucas Oliveira, de 23 anos, é um dos que foram diretamente afetados pela proibição do abate. Lucas trabalhou como auxiliar de desossa por um ano e meio. Neste período, quando pela primeira vez conseguiu a carteira de trabalho assinada, teve um filho e muitos planos para o futuro. Há quatro meses vive de “bicos” e do seguro-desemprego. “Só eu sei a falta que tá fazendo. Mas a gente tem esperança de voltar”.

Nosso irmão

Um trecho da polêmica decisão da juíza Arali Maciel Duarte que não foi questionado por nenhuma das partes é a que ressalta a importância do jumento para a população nordestina:

“A população brasileira e principalmente a nordestina respeita e reconhece a importância histórica e social dos jumentos“, ela escreveu.“Os jumentos têm na história uma contribuição incalculável para o desenvolvimento do país, principalmente do Nordeste.”

A juíza chama atenção às estátuas de jumentos pelos estados nordestinos, e às músicas que foram feitas em homenagem ao bicho. O nome de uma delas, de Luiz Gonzaga, talvez resuma o sentimento que muitos nordestinos têm pelo jumento: “Apologia Ao Jumento (O Jumento É Nosso Irmão)”.

Não existe pesquisa de opinião confiável sobre o assunto. Mas a rejeição do nordestino ao abate de jumentos fica clara no apoio às manifestações promovidas pelas organizações de defesa dos animais ou mesmo nos comentários deixados nas redes sociais. Das dezenas de pessoas ouvidas para a elaboração dessa reportagem, com exceção daquelas diretamente envolvidas na cadeia de produção, todas eram contra o abate.

Ao proibir o abate, a juíza não fugiu da questão cultural. Para a maioria dos brasileiros que nasceram na região Nordeste, a relação com o jumento mistura religiosidade, gratidão e estima.

Originário do norte da África, o jumento – um animal forte e resistente – adaptou-se perfeitamente ao clima árido que predomina no Nordeste brasileiro. Desde muito tempo, o nordestino tem o animal “que levou o menino Jesus no lombo” como um aliado para o trabalho de arar a terra, carregar a água ou puxar a carroça.

Em uma entrevista publicada no portal do Instituto Humanitas Unisinos, Kátia Lopes, doutora em Ciência Animal e sócia-fundadora da ONG Defesa da Natureza e dos Animais, de Mossoró/RN resumiu esse sentimento: “Na formação da nossa civilização muita gente defende que foi no lombo de um jumento que a nação nordestina nasceu. Ele é o símbolo da resistência da nossa região.”

Ao ressaltar o companheirismo entre jumentos e trabalhadores no nordeste, a juíza Duarte deixou escapar ainda uma cutucada na cultura chinesa:

“Juntos passavam fome, porém, nunca cogitaram a possibilidade de incluí-los no rol de alimentos.”

Guerra em Canudos O cenário era de guerra. Quando os fiscais da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente chegaram à fazenda Santa Rita, em Canudos, Sertão do estado, encontraram por volta de 200 jumentos mortos. Outros cerca de 800 animais continuavam confinados ilegalmente no espaço e aparentavam estar desnutridos e desidratados. O cenário foi revelado no dia 1º de fevereiro de 2019, dois meses após a proibição do abate de jumentos pela Justiça Federal.

Segundo o relatório produzido pela fiscalização, o destino dos animais seria o abate em Itapetinga e Amargosa, ambas cidades baianas. A suspensão das atividades pegou de surpresa os responsáveis pelo confinamento e transporte dos jumentos, dois chineses cujos nomes não foram revelados. Sem destino, os animais foram abandonados.

Por conta dos maus-tratos, os jumentos continuaram morrendo na fazenda Santa Rita. Atualmente, apenas cerca de 420 estão vivos. Em uma entrevista por telefone, a a bióloga Patrícia Tatemoto, contou que existe o risco de mais mortes devido a uma doença metabólica conhecida por hiperlipemia, sequela das condições adversas . Patrícia é a única representante no Brasil da ONG britânica The Donkey Sanctuary, que atua globalmente na defesa dos jumentos.

A The Donkey Sanctuary faz parte, junto com outras entidades, da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos. Por determinação da justiça, são as entidades que agora têm a tutela dos animais e são responsáveis por mantê-los. Isso, claro, tem um custo elevado e exigem recursos que os ativistas não possuem.

Para se ter uma ideia, o gasto diário só com a alimentação dos sobreviventes é de R$ 890, somado com outras despesas (veterinário, remédios) chega a algo em torno de R$ 50 mil ao mês. Uma campanha de financiamento coletivo, na plataforma Catarse, foi iniciada para arrecadar fundos. Até o momento, apenas 11% da meta estabelecida foram atingidos.

Fuente: https://dialogochino.net/28166-brazils-controversial-donkey-slaughter-ban/?lang=pt-br

Read more...

Diálogo Chino • La batalla de los burros

Desde noviembre, cuando una decisión judicial prohibió el abatimiento de burros – también denominados asnos — en el estado brasileño de Bahía, el restaurante de José Bispo dos Santos, de la ciudad de Amargosa, está vacío. La mayoría de los clientes de Santos, o Zeca de Patrão, como lo llaman los amigos, trabajaba en el matadero de la ciudad y perdió su empleo.

El matadero Frinordeste existía desde junio de 2017, luego de que, como parte de una negociación internacional entre diplomáticos brasileños y chinos, el abatimiento de asnos fuera regulado en Bahía. Los chinos utilizan el cuero de burro para fabricar ejiao, un remedio que supuestamente combate desde el envejecimiento hasta la falta de apetito sexual femenino. Los chinos también consumen la carne del animal.

Pero apreciar una hamburguesa de asno, algo muy habitual en las calles de Beijing, es algo impensable para el bahiano Zeca. A pesar de los prejuicios — además de la caída en el número de clientes del restaurante, Luiz Fernando da Cruz, su hijo, fue uno de los que perdieron el empleo en el frigorífico —, él está en contra del abatimiento, que ahora está prohibido.

“El trabajo de los burros constituyó una ayuda muy importante para mis antepasados”, afirma. “Aquí la gente le es fiel al borrico”.

Los asnos se encuentran en el centro de una batalla judicial que muestra cómo las diferencias culturales pueden tener peso en cuestiones ligadas al comercio internacional, y cómo la avidez china por el ejiao provoca temores en todo el mundo de que la extinción del asno se transforme en una amenaza real.

La demanda china de importación de cuero está creciendo. A pesar de que el país produce 1.800.000 pieles por año, su consumo es de casi 4 millones. Por este motivo, China comenzó a comprar cuero de burro de diversos países en desarrollo. La prohibición de noviembre hace que el país se transforme en el último de una lista de más de 15 países, ubicados mayormente en África, que prohibieron el abatimiento de asnos.

Pero, contrariamente a Zeca, en Brasil, los que lucran con el abatimiento de burros ni piensan en desistir de la batalla.

Unas cuentas que no cierran Todo comenzó con un documento administrativo publicado por la Agencia de Defensa Agropecuaria de Bahía, ADAB. El documento, de solamente nueve artículos, podría haberse perdido entre los tantos otros publicados en el Boletín Oficial del 29 de junio de 2016. Pero no fue así. Al reglamentar el abatimiento de asnos, mulas y burdéganos en todo el territorio bahiano, esos pocos artículos metieron la mano en el avispero y se transformaron en una mecha en la agresiva batalla jurídico-económico-ética.

La pretensión del documento era resolver un problema histórico: el de los animales errantes que, “además de provocar accidentes viales, podrían servir como agentes de diseminación de enfermedades”.

A pesar de ser considerados como símbolos del Nordeste, en los últimos tiempos los animales venían sufriendo un largo abandono, al ser reemplazados por un medio de transporte mucho más rápido, aunque menos amigable: la motocicleta. En el estado de Ceará, el problema se transformó en algo tan grave que el departamento de tránsito frecuentemente debía enviar a sus equipos a recoger los animales abandonados para evitar accidentes de tránsito. Apenas durante el último feriado de año nuevo,115 burros fueron rescatados.

Pero la acción administrativa significaba algo más que una respuesta a un nuevo problema social. Ésta daba luz verde al inicio de un proyecto que se venía articulando entre empresarios y el gobierno bahiano hacía años: la exportación de carne y cuero de asnos hacia China. Se trata de un negocio que, según Katia Abreu, entonces ministra de agricultura, podría llegar a rendir aproximadamente 3 mil millones de dólares. La articulación existía por lo menos desde 2012, cuando China y Brasil firmaron un acuerdo comercial sobre asnos.

Unos días después de la entrada en vigor de la circular, la empresa FrigoCezar, del municipio de Miguel Calmon, Bahía, empezó a realizar el abatimiento. Sólo en la primera semana, aproximadamente 300 burros fueron abatidos. Un año más tarde, el 26 de junio de 2017, en una solemnidad que hasta contó con la presencia de Rui Costa, gobernador de Bahía, se inauguraba el frigorífico Frinordeste, vecino del restaurante de Zé do Patrão.

El emprendimiento, llevado a cabo en colaboración con los chinos, empezó a funcionar y generó 150 puestos de trabajo directos y 270 indirectos. A eso se sumaba la expectativa de producir y exportar 300 toneladas de carne por mes hacia el mercado asiático.

Frinordeste es una sociedad formada por una empresa brasileña y dos socios chinos: Zhen Yongwei y Ran Yang. Ambos residen en China y no pudieron ser ubicados por nuestros reporteros, quienes también intentaron entrar en contacto con su representante legal en nuestro país, sin obtener respuesta.

En la misma línea de Frinordeste, dos frigoríficos más comenzaron a abatir asnos en Bahía: Cabra Forte, en la localidad de Simões Filho, y Sudoeste, en Itapetinga. El primero lo hizo en diciembre de 2017 y el segundo en agosto de 2018.

Del punto de vista económico, la incipiente cadena productiva funcionaba bien. Si sumamos los tres frigoríficos, los únicos en todo Brasil autorizados para realizar el abatimiento de burros y según datos provistos por el gobierno de Bahía, se crearon 376 empleos directos y 1.360 indirectos. Además, la cadena productiva generaba empleo e ingresos a más de 500 productores, vaqueros y ayudantes que participaban de la recolección de asnos abandonados en las diversas regiones del estado.

Pero estos argumentos no convencieron a los defensores de los animales, que están organizados a nivel global. Después de responder sin éxito al documento administrativo de 2016, siguieron protestando y, principalmente, luchando en la justicia. Hasta que, el 30 de noviembre de 2018, la jueza Arali Maciel Duarte, del 1er Juzgado Federal de Salvador, le concedió una medida cautelar y prohibió el abatimiento de asnos en todo el territorio de Bahía.

La decisión resultó en una acción civil pública contra la Unión y el Estado de Bahía, realizada por la Unión Defensora de los Animales denominada “Bicho Feliz”, por la Red de Movilización por la Causa Animal, por el Foro Nacional de Protección y Defensa Animal, por SOS Animales de Calle y por el Frente Nacional de Defensa de los Burros.

Un hecho fue decisivo para que la jueza Arali Maciel suspendiera el abatimiento de asnos. El 4 de septiembre de 2018, más de 200 animales se encontraron muertos, probablemente de hambre y de sed, en un establecimiento agropecuario de la zona rural de Itapetinga, Bahía.

El lugar era utilizado como espacio para confinar burros antes de enviarlos a ser abatidos en el Frigorífico Sudoeste. El caso tuvo una amplia repercusión en los medios y chocó a la opinión pública bahiana.

En su argumentación, la jueza se refiere a los malos tratos sufridos por los animales en su “captura”, transporte y, principalmente, en su confinamiento. Además, la magistrada se mostró preocupada por cuestiones de salud pública. Al no haberse cumplido todas las exigencias legales durante el proceso de abatimiento de los animales, afirmó que éstos podrían llegar a transmitir enfermedades.

Rápidamente, utilizando datos provistos por el Consejo Regional de Veterinaria y por el Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE), la jueza construyó su principal argumento: el plan de las nuevas empresas, que incluía abatir 200.000 ejemplares por año, podría ocasionar la extinción de los burros nordestinos.

“Estimando que, en la región del Nordeste, la población actual es de 600.000 animales, y considerando el ritmo del abatimiento, ¡en los próximos cuatro años, la población de asnos nordestinos se extinguirá”, escribió.

El gobierno de Bahía, a través de la Procuraduría General del Estado, intentó derribar la cautelar y restablecer el abatimiento de burros. En su argumentación, Marcos Sampaio, Procurador General del Estado, afirma que la jueza extralimitó su competencia administrativa al mandar paralizar toda una cadena productiva relevante “producto de acuerdos privados y de compromisos públicos internacionales” asumidos por el gobierno de Bahía.

Para el procurador, la prohibición del abatimiento nada haría para dirimir la crisis que mataba los burros de hambre y de sed. “Cuando un agente económico o público comete una irregularidad, no se puede ordenar la prohibición de la actividad desempeñada, se debe exigir que se corrija la actitud”.

La decisión se mantuvo en segunda instancia. Pero la batalla legal sigue.

Negocio estancado Mientras las entidades protectoras de los animales festejan su victoria parcial ante la Justicia Federal, los empresarios contabilizan las pérdidas. Todavía es difícil dimensionar su tamaño. Una gran parte de la cadena productiva de carne y cuero de asnos carece de transparencia.

Entre las empresas, la regla es el silencio y la falta de claridad en la conducción de los negocios. Para hacerse una idea, de los tres frigoríficos autorizados, sólo el de Simões Filho tiene página de internet y un canal de comunicación con los clientes.

Datos del Ministerio de Agricultura relevados por el diario Correio da Bahia señalan que los tres frigoríficos autorizados para el abatimiento de burros exportaron hacia Vietnam y Hong Kong, en 2018, más de 25.000 toneladas de carne y cuero de “caballos, asnos y mulares”, con ingresos aproximados de 40 millones de dólares.

Reginaldo Filho, propietario de Cabra Forte, ubicado en Simões Filho, se dedica al abatimiento de animales desde 1997, cuando su familia adquirió el frigorífico que en esa época operaba con bovinos y porcinos. En 2015, realizó un estudio para certificar la viabilidad económica del abatimiento de équidos (asnos, mulares y burdéganos), llegando inclusive a visitar China. En diciembre de 2017, luego de obtener autorización del Servicio de Inspección Federal, comenzó a operar.

En el momento en que llegó la prohibición, Cabra Forte venía abatiendo cerca de 200 burros por día, de lunes a viernes, y poseía capacidad instalada para llegar a 500. Con ese objetivo, contaba con 180 empleados, 120 de los cuales perdieron su empleo luego de la decisión de la justicia. Según Reginaldo, para llevar a cabo el proyecto hubo una inversión total de 1.500.000 dólares.

Luego de funcionar durante un año, el negocio liderado por Reginaldo todavía no daba ganancias. Con la exportación de cuero y carne de asnos, se preveían ingresos por un promedio de R$ 370 por animal abatido. El problema es que, por cuestiones “burocráticas” (faltaban algunos certificados), Cabra Forte no lograba vender directo hacia China, debía negociar con empresas provenientes de Hong Kong y Vietnam que actuaban como intermediarias. En el caso de haber exportado directo hacia China, tal como lo hacía el frigorífico de Amargosa/BA, los ingresos subían a R$ 870 por animal. “Había una luz al final del túnel”, se lamenta Reginaldo.

A los importadores chinos lo que más les interesa es el cuero. A éste se le extrae una sustancia que sirve como principio activo para fabricar el ejiao. Su precio y popularidad vienen se incrementado en los últimos años. Actualmente, una caja de 250 gramos del producto cuesta aproximadamente 180 dólares.

Más allá de la exportación de carne y cuero de burro, la prohibición también perjudicó otro proyecto que impulsaba el frigorífico Cabra Forte. Inspirado en lo que vio cuando visitó China, Reginaldo se estaba preparando para inaugurar un centro de equinoterapia que iba a atender a niños con necesidades especiales, utilizando los animales que no hubieran pasado la selección para el abatimiento.

Además de obtener una fuente extra de recursos y de aprovechar los animales que no hubieran pasado la selección (por bajo peso o por estar preñados), el centro también hubiera funcionado como un proyecto social de la empresa, que iba a ofrecer atención gratuita a niños de las comunidades vecinas del frigorífico.

Reginaldo Filho no está de acuerdo con la prohibición del abatimiento, pero prefiere evitar polémicas. “Está todo en el proceso”. Asimismo, se queja de que la decisión judicial se está demorando. En su opinión, eso genera inseguridad en quienes desean invertir en el negocio. Reginaldo resalta que cumple con todas las normas y que está pagando por los errores que otros cometieron. “Deberían castigar únicamente a los que hicieron algo mal”.

Es malo para los empresarios y mucho peor para los trabajadores y pequeños comerciantes que prosperaron con los frigoríficos. Por ejemplo, en Amargosa, aproximadamente 150 personas perdieron su empleo debido a la paralización de las actividades de Frinordeste, incluyendo al hijo de Zeca do Patrão, dueño del restaurante local. Otros 270 puestos de trabajo indirectos también se perdieron.

Lucas Oliveira, de 23 años de edad, es uno de los que fueron directamente afectados por la prohibición del abatimiento. Lucas trabajó como auxiliar de deshueso durante un año y medio. Durante ese tiempo, al haber obtenido por primera vez un trabajo con beneficios laborales, tuvo un hijo e hizo muchos planes para el futuro. Hace cuatro meses que vive de trabajos informales y del seguro de desempleo. “Sólo yo sé la falta que hace. Pero tenemos esperanza de que vuelva”.

Nuestro hermano

En la polémica decisión de la jueza Arali Maciel Duarte, un párrafo que no fue cuestionado por ninguna de las partes es el que resalta la importancia que el burro tiene para la población nordestina:

“La población brasileña, en especial la nordestina, respeta y reconoce la importancia histórica y social de los asnos”, escribió. “Históricamente, los burros han hecho una contribución incalculable para el desarrollo de nuestro país, y principalmente del Nordeste.”

La jueza llama la atención sobre las estatuas de asnos que existen en los estados nordestinos, y sobre las canciones que los homenajean. El nombre de una de las canciones, de Luiz Gonzaga, tal vez resuma el sentimiento que muchos nordestinos tienen por el animal: “Apología al burro (El burro es nuestro hermano)”.

No existían encuestas de opinión confiables sobre el tema. Pero el rechazo del nordestino por el abatimiento de asnos ha quedado claro en el apoyo dado a las manifestaciones promovidas por las organizaciones de defensa de los animales y también en los comentarios de las redes sociales. A excepción de aquellas personas involucradas directamente en la cadena de producción, todas las que se manifestaron ante nuestros reporteros estaban en contra de su abatimiento.

Al prohibir el abatimiento, la jueza no se alejó de la cuestión cultural. Para la mayoría de los brasileños que nacieron en la región Nordeste, la relación con el asno es una mezcla de religiosidad, gratitud y estima.

Originario del norte de África, el burro – un animal fuerte y resistente – se adaptó perfectamente al clima árido predominante en el Nordeste brasileño. Desde hace mucho tiempo, el nordestino considera al animal “que llevó al niño Jesús en el lomo” como un aliado para los trabajos de arar la tierra, cargar agua o tirar del carro.

En una entrevista publicada en el portal del Instituto Humanitas Unisinos, Kátia Lopes, doctora en ciencia animal y socia fundadora de la ONG Defensa de la Naturaleza y de los Animales, de la localidad de Mossoró/RN, sintetizó ese sentimiento: “En la formación de nuestra civilización hay mucha gente que dice que fue en el lomo de un asno que la nación nordestina nació. Es el símbolo de la resistencia de nuestra región.”

Al resaltar el compañerismo que existe entre los burros y los trabajadores en el nordeste, la jueza Duarte dejó escapar un llamado de atención para la cultura china:

“Juntos pasaban hambre, sin embargo, jamás pensaron en la posibilidad de incluirlos en el papel de alimentos.”

La guerra de Canudos El escenario era de guerra. Cuando los fiscales de la Agencia de Defensa Agropecuaria de Bahía y de la Secretaría Municipal del Medio Ambiente llegaron a la estancia Santa Rita, en Canudos, sertón del estado, encontraron alrededor de 200 burros muertos. Aproximadamente 800 animales más, que parecían estar desnutridos y deshidratados, seguían confinados en forma ilegal en el lugar. El escenario fue revelado el día 1° de febrero de 2019, dos meses después de que la Justicia Federal hubiera prohibido el abatimiento de burros.

Según el informe realizado por la fiscalización, los animales serían destinados al abatimiento en Ias ciudades bahianas de Itapetinga y Amargosa. La suspensión de las actividades tomó por sorpresa a los responsables del confinamiento y transporte de los burros, dos chinos cuyos nombres no fueron revelados. Sin destino, los animales fueron abandonados.

Debido a los malos tratos recibidos, los burros siguieron muriendo en la hacienda Santa Rita. Actualmente, sólo siguen vivos aproximadamente 420. En una entrevista realizada en forma telefónica, la bióloga Patricia Tatemoto contó que existe el riesgo de que se produzcan más muertes debido a una enfermedad metabólica conocida como hiperlipemia, una secuela de las condiciones adversas. Patricia es la única representante en Brasil de la ONG británica The Donkey Sanctuary que actúa a nivel global en la defensa de los asnos.

The Donkey Sanctuary forma parte, junto con otras entidades, del Frente Nacional de Defensa de los Burros. Por determinación de la justicia, dichas entidades ahora tienen la tutela de los animales y son responsables por su manutención. El problema es que dicha manutención tiene un costo elevado y necesita de recursos de los cuales carecen.

Para tener una idea, el gasto diario solamente en alimentación de los sobrevivientes es de R$ 890, sumado a otros gastos (veterinario, remedios), lo que da aproximadamente R$ 50 mil mensuales. Se inició una campaña de financiamiento colectivo en la plataforma Catarse con el objetivo de recaudar fondos. Hasta el momento, se consiguió sólo el 11% de la meta establecida.

Fuente: https://dialogochino.net/28166-brazils-controversial-donkey-slaughter-ban/?lang=es

Read more...

Diálogo Chino • Como anda a Iniciativa do Cinturão e Rota na região andina?

O governo do Peru anunciou em abril que fará parte da Iniciativa do Cinturão e da Rota, tornando-se o décimo nono país da América Latina e do Caribe a se unir ao projeto de bandeira chinesa.

O projeto, que retoma a ideia de reconstruir a antiga Rota da Seda, busca uma maior cooperação econômica e política entre os países e regiões participantes. Embora apenas a Europa e a Ásia fizessem parte da iniciativa original, lançada em 2013, o aumento em vinte vezes do volume comercial entre China e América Latina em apenas uma década fez da região uma extensão natural do projeto.

Desde que o Panamá anunciou que participaria da Cinturão e da Rota em 2017, a América Latina foi aos poucos se inserindo nessa rede multimilionária de projetos de infraestrutura que promove o comércio e facilita o acesso a novas fontes de financiamento. Contudo, até agora as quatro maiores economias da região – Brasil, México, Argentina e Colômbia – têm se mostrado reticentes à iniciativa, que sofre oposição dos Estados Unidos e levanta questões sobre o risco de endividamento.

Por isso, a chegada do Peru – que é a sexta maior economia da região e mantém um tratado de livre comércio com a China há dez anos – poderia impulsionar o resto da região a participar, sobretudo porque a o projeto chinês tem sido bem recebido na região andina.

Peru chega por último, mas ressuscita ferrovias Data de assinatura: Abril de 2019

O que disse o governo: “Assinar esse memorando de entendimento é o início de um modelo de cooperação que a China tem oferecido ao mundo e que, na minha opinião, é interessante e permite ampliar os laços de cooperação” (Vice-presidente Mercedes Aráoz)

Principais projetos: Embora o Peru tenha descartado participar da iniciativa dois anos atrás por conta dos altos custos, o presidente Martín Vizcarra confirmou durante sua viagem à China em abril que está interessado em retomar a ferrovia interoceânica que ligaria o Pacífico ao Atlântico através também do Brasil e da Bolívia, o que poderia custar até 60 bilhões de dólares. Parte da mudança de posição do Peru se deve a novas estudos que estimam que a parte peruana custaria 7,5 bilhões de dólares (um quinto do montante inicial). Sobre o assunto, Vizcarra disse que “nós estamos interessados, a Bolívia está ainda mais interessada, (…) mas vamos ver, porque entre nós ainda falta um terceiro sócio que pode ajudar a realizar esse projeto”.

Outros projetos já em curso que agora estariam cobertos pela Iniciativa do Cinturão e da Rota incluem a construção de um megaporto em Chancay e de outro em Ilo. A China também já é o segundo investidor investidor estrangeiro no setor de mineração, operando as minas de cobre de Las Bambas e Toromocho, e a mina de ferro Marcona.

Preocupações: “A arte de conceder empréstimos consiste em ter uma garantia que vale mais do que o valor emprestado. O temor dos países que tomam empréstimos é cair no hipotético círculo chinês – banco chinês, crédito chinês, empresa chinesa, mão de obra chinesa, materiais e recursos chineses –, que reduz a transferência tecnológica e a criação de empregos locais.” (Patricia Castro Obando, jornalista especializada em China)

Equador, o que tem mais projetos A visita do presidente Lenin Moreno a Pequim em dezembro serviu para concretizar a entrada do Equador na iniciativa e para anunciar novos investimentos, embora na verdade o país já seja o maior beneficiário de financiamento chinês na região (atrás apenas da Venezuela e do Brasil).

Data de assinatura: dezembro de 2018

O que disse o governo: “Para nós, a China é uma referência em inovação e desenvolvimento. Atualmente, 145 empresas chinesas trabalham e investem no Equador, gerando obras, crescimento, emprego e intercâmbio de tecnologia e conhecimento” (Presidente Lenin Moreno em Pequim)

Principais projetos: Entre os novos projetos anunciados, estão a reconstrução do aeroporto de Manta, afetado pelo terremoto de 2016; a rodovia entre Quinindé e Las Golondrinas (que liga as províncias de Esmeraldas e Imbabura); e duas pontes em Canuto e Pimpiguasí (província de Manabí). Na prática, contudo, pelo menos dez projetos que já estavam em curso serão incluídos sob o guarda-chuva do Cinturão e da Rota. Entre eles, estão sete centrais hidroelétricas (a maior delas, Coca Codo Sinclair, tem passado por diversos problemas) e as minas de cobre de Panantza-San Carlos e de Mirador (onde tem havido fortes conflitos socioambientais).

Preocupações: “O laço tão estreito entre os dois países faz com que o Equador desenvolva uma relação de dependência com China e se mantenha inativo quanto aos impactos socioambientais e intensos conflitos causados pelas empresas chinesas”. (Centro de Direitos Econômicos e Sociais – CEDS)

Bolívia, em busca de rodovias Data de assinatura: junho de 2018

O que disse o governo: “A Iniciativa do Cinturão e da Ruta e a cooperação entre América Latina e Caribe com a China têm um papel decisivo para a conquista dos objetivos globais, ou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (Chanceler Diego Pary)

Principais projetos: A maior parte dos projetos já em curso que contam com financiamento chinês são estradas, como as de El Sillar (um trecho da rodovia que liga Santa Cruz a Cochabamba), a de Rurrenabaque a Riberalta na Amazônia, e a de El Espino a Boyuibe no Chaco. No entanto, há também projetos como a indústria siderúrgica de Mutún e a exploração conjunta de lítio nos salares do sul do país. Outros projetos tiveram menos sucesso, como a polêmica represa hidroelétrica de Rositas (hoje paralisada) e a ampliação – cancelada – do aeroporto de Santa Cruz. Este ano, abriram-se nichos agropecuários que a Bolívia vinha impulsionando há anos, como o da quinoa (que contamos nesta reportagem) e o recém-anunciado mercado de carne.

Preocupações: “A relação entre a China e a Bolívia se caracteriza pela escassez de informação, pelas declarações contraditórias de autoridades e pela não divulgação de acordos e convênios de financiamento”. (Silvia Molina e Viviana Herrera, Centro de Estudos para o Desenvolvimento Laboral e Agrário – CEDLA)

Venezuela, o Cinturão e a Rota em meio à crise política A China, que emprestou mais de 67 milhões de dólares à Venezuela (segundo cifras do Inter-American Dialogue) em troca de petróleo, é vista como um ator-chave na crise política venezuelana.

Embora no passado o governo chinês tenha concedido um apoio fundamental ao governo chavista, a China optou por manter os canais abertos também com a oposição – uma postura consistente com sua política exterior pragmática e realista. De fato, o presidente autoproclamado Juan Carlos Guaidó surpreendeu os presentes quando afirmou em uma reunião recente que diplomatas chineses lhe haviam garantido que “uma solução se aproxima por meio do Grupo de Contato” que tenta mediar o governo e a oposição na Venezuela.

Data de assinatura: dezembro de 2017

O que disse o governo: Receberemos bilhões de dólares em investimentos para tornar realidade nossas empresas de economia mista no setor de petróleo (…) Graças à solida relação Venezuela-China, hoje a Venezuela está de pé, está batalhando e está em circunstâncias melhores do que nunca.” (Presidente Nicolás Maduro em Pequim en 2018)

Principais projetos: Na última década, China e Venezuela deram início a centenas de projetos, embora não se saiba o estado da maioria deles. Entre esses projetos figuram a central termoelétrica de La Cabrera (que funciona hoje a uma fração da capacidade total) e a usina elétrica de El Vigía (também em operação parcial). Outros projetos fracassaram, como a planta de processamento de arroz em Delta Amacuro (hoje abandonada), que deveria ser a maior da América Latina.

Preocupações: “Infelizmente, como também sofreram na pele Paquistão, Sri Lanka, África do Sul, Equador e Venezuela, o financiamento de projetos de desenvolvimento por parte da China costuma provocar na economia uma embriaguez cheia de corrupção, ao que se segue uma desagradável ressaca financeira (e às vezes política)” (Ricardo Hausmann, ex-ministro e assessor econômico de Guaidó)

Colômbia, o único país ausente Com a participação do Peru na Iniciativa do Cinturão e da Rota, a Colômbia se torna o único país andino a manter-se fora do projeto. A decisão faz sentido uma vez que, dos cinco países andinos, a Colômbia é o que menos tem priorizado a China em sua agenda política. Sob o mandato do novo presidente Iván Duque, a política colombiana tem girado sobretudo em torno da crise política na Venezuela e da estratégia dos Estados Unidos na região.

O que disse o governo: “O governo colombiano reconhece a importância internacional dessa iniciativa e está neste momento avaliando o conteúdo da proposta apresentada pela China, em suas diferentes dimensões, com o objetivo definir sua possível participação na mesma” (Chanceler Carlos Holmes Trujillo)

Principais projetos: No momento, são poucos os projetos chineses na Colômbia. Há a Autopista al Mar 2, que conecta o golfo de Urabá, no Caribe; as frotas de ônibus elétricos em Cali e em Medellín; e várias jazidas de petróleo que a Sinochem tenta explorar (e que são objeto de conflitos sociais).

“A Colômbia é um país importante na América Latina que tem boas relações bilaterais com a China; uma ampliação dessa cooperação em benefício mútuo é de interesse de ambas as partes e tem grande potencial”, escreveu o embaixador chinês Li Nianping há um mês numa coluna de opinião no jornal El Tiempo, convidado a Colômbia a fazer parte do projeto.

Preocupações: “Não se deve esquecer de que esse financiamento veio conectado a exigências condicionais de adquirir bens e serviços ofertados pela China (…) A Colômbia tem espaço para aprofundar suas relações comerciais com a China, mas para isso terá que primeiro habilitar a costa do Pacífico ao comércio exterior. (Sergio Clavijo, presidente da Associação Nacional de Instituições Financeiras – ANIF)

Fuente: https://dialogochino.net/28021-hows-chinas-belt-and-road-advancing-in-latin-americas-andean-region/?lang=pt-br

Read more...

La Razón • Desbaratan red de extracción y tráfico ilegal de madera a China; cifran en $us 6 MM el daño al Estado

Una organización criminal que operaba en la extracción ilegal de madera con destino a China, en el departamento de Santa Cruz, fue desarticulada este jueves. Se estima un daño económico al Estado de $us 6 millones.

"El daño económico al Estado es de seis millones de dólares a través de una organización criminal que ha operado de manera fraudulenta para extraer ilegalmente valiosas especies de madera en San Ignacio de Velasco", informó el ministro de Gobierno, Carlos Romero, en conferencia de prensa.

Según Romero, lo que llama la atención es el "modus operandi" de la organización, por lo que ve "necesario profundizar la investigación para ver si existen otras redes que han estado operando de la misma manera".

Cliver Rocha, director ejecutivo de la Autoridad de Fiscalización y Control Social de Bosques y Tierras (ABT), explicó que la entidad tenía "indicios" de que en oficinas de consultorías se "fabricaban documentos para blanquear madera ilegalmente, especialmente de las especies más importantes que llegaban hasta China".

De acuerdo con Rocha, los miembros de la organización falsificaban documentos y buscaban a interesados en los desmontes. Posteriormente extraían madera de lugares no autorizados. Ronald V. A. e ingenieros fraguaban documentos.

En la intervención a la oficina de Ronald V. A., se encontró sellos de funcionarios de la ABT. El director de la Fuerza Especial de Lucha Contra el Crimen (FELCC), Jhonny Aguilera, informó que se halló ocho sellos "de pie de firma" del representante legal de la ABT en Santa Cruz.

"Nosotros vamos a suspender consultoras. Obviamente me pidieron que no generalicemos porque hay buenos y malos. Vamos hacer auditorías y evaluar todas las inscripciones en los próximos días", señaló Rocha.

María Lourdes P. M.; Elías M. M.; y Matilde Z. M. fueron aprehendidas por la FELCC; mientras que Ronald V. A.; Rony Amilcar A.; y Redmy P. se encuentran prófugos. Aguilera mencionó que la actividad ilícita se enmarca en el tipo de delito de falsedad material e ideológica.

Fuente: http://www.la-razon.com/index.php?_url=/nacional/seguridad_nacional/Desbaratan-organizacion-ilegalmente-afectacion-MM_0_3140086028.html

Read more...

COICA – Coalición Regional • Vulneración a los derechos de los Pueblos Indígenas en la cuenca amazónica por inversiones china

La oficina del Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Derechos Humanos (OACDH) publicó el “Resumen de las comunicaciones de las partes interesadas sobre China (A/HRC/WG.6/31/CHN/3)”, donde incluye recomendaciones dadas por la organización indígena COICA (ver página 14 del citado documento).

El Resumen publicado es resultado de la evaluación de las recomendaciones presentadas por más de un centenar de instituciones a nivel global en el marco del proceso de Evaluación Periódica Universal de Derechos Humanos (EPU), buscando que el Gobierno chino mejore sus mecanismos de respeto, implementación y remediación en materia de derechos humanos; proceso emblemático por el rol de China -una de las principales economías del mundo- en el mercado de las materias primas en la región suramericana.

De los informes presentados, la OACDH ha seleccionado 127 contribuciones, entre las que se encuentra en el párrafo 15 del resumen el informe “Vulneración a los derechos de los Pueblos Indígenas en la cuenca amazónica por inversiones chinas” (p.3), elaborado por la Coordinadora de Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica (COICA), con apoyo técnico de Derecho, Ambiente y Recursos Naturales – DAR (Perú), la Asociación Ambiente y Sociedad – AAS (Colombia), Centro de Estudios para el Desarrollo Laboral y Agrario – CEDLA (Bolivia) y Conectas (Brasil), miembros de la Coalición Regional por la Transparencia y la Participación. Dicho informe se identifica con el código “JS3” en el página 14 del Resumen de las comunicaciones de las partes interesadas sobre China (A/HRC/WG.6/31/CHN/3).

Del informe, se toma la referencia sobre las afectaciones a los derechos a la vida, a la consulta previa, la salud y la discriminación hacia los pueblos indígenas:

“La JS3 también destacó que las empresas mineras chinas, en particular las que participaban en los proyectos Mirador y San Carlos Panantza en el Ecuador, habían incurrido en prácticas irregulares de adquisición de tierras, como la compra irregular sin consulta previa, la reclamación arbitraria de derechos de explotación minera y la interposición de demandas civiles contra familias sin títulos de propiedad. Por medio de estas prácticas y con el apoyo de las fuerzas de seguridad, estas empresas habían provocado el desalojo forzoso y el desplazamiento involuntario de un total de 42 familias indígenas”, se señala en la página 3, párrafo 15 del Resumen.

El EPU busca sentar un precedente sobre la responsabilidad extraterritorial de la República Popular China en materia de derechos humanos. Las inversiones chinas en la región se sostienen tanto en emprendimientos extractivos de recursos naturales, como en una serie de proyectos de infraestructura; y la promoción -cada vez mayor- de acuerdos bilaterales, en el marco de la estrategia de “La Franja y la Ruta”.

Al respecto, organizaciones indígenas y de sociedad civil vienen solicitando la apertura de mecanismos de diálogo y herramientas para analizar las implicancias de las inversiones chinas y el rol que China está jugando en la Amazonía, por lo que -ante las limitaciones culturales, diplomáticas y mediáticas para la comunicación con el Gobierno de Xi Jinping y sus instituciones, el proceso del EPU de Naciones Unidas representa una oportunidad.

En ese sentido, los compromisos en materia de derechos humanos asumidos por China como miembro de las Naciones Unidas deben convertirse en un instrumento más efectivo para exigir la protección de los derechos humanos y, en particular, los derechos de los pueblos indígenas.

Los datos

Se hicieron públicos los informes: “Recopilación sobre China Informe de la Oficina del Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Derechos Humanos (A/HRC/WG.6/31/CHN/2)”, y el Informe nacional presentado con arreglo al párrafo 5 del anexo de la resolución 16/21 del Consejo de Derechos Humanos, China (A/HRC/WG.6/31/CHN/1*”. Si bien, la República Popular China informa sobre avances en materia de políticas, estas no presentan ejemplos o cambios significativos en la forma en que desarrolla sus relaciones internacionales. La OACDH documenta una serie de denuncias y vulneraciones a los derechos humanos en donde se señala la responsabilidad directa e indirecta del Estado Chino. Se remarca la responsabilidad extraterritorial en materia de derechos humanos, y se conmina a la implementación de mecanismos para su efectivo cumplimiento.

Fuente: https://coalicionregional.net/wp-content/uploads/2018/05/EPUchina_espanol.pdf

Read more...

Mongabay • Bolivia: hidroeléctrica Ivirizu amenaza la biodiversidad del Parque Nacional Carrasco

La tranquilidad de Monte Punku se altera todos los días al promediar el mediodía. Esa es la hora en la que vehículos y decenas de obreros irrumpen en este centro poblado de Bolivia, ubicado a 118 kilómetros de la ciudad de Cochabamba, para almorzar. Una hora después, abandonan el lugar para sumergirse nuevamente dentro del Parque Nacional Carrasco, allí donde se desarrollan las obras civiles que culminarán en la construcción de la hidroeléctrica Ivirizu.

Este movimiento en el área es nuevo para los habitantes de este centro poblado situado en el municipio de Pocona. Y comenzó hace medio año, justo cuando la empresa china Sinohydro empezó a levantar un campamento en el área, a trabajar en la ampliación de una vía y a limpiar la zona boscosa donde se edificará una represa. Estas obras, que fueron adjudicadas en septiembre de 2017 por el monto de 172 millones de dólares, despejarán 500 hectáreas de bosque dentro del área protegida, como confirmó a Mongabay Latam, el alcalde de Pocona, Juan Carlos Rodríguez.

Muchos se preguntarán, ¿Cómo se logró la aprobación de un proyecto tan grande dentro de un área protegida? Lo que hizo el gobierno boliviano fue declarar de interés y prioridad nacional la ejecución del proyecto en el 2016, mediante la Ley 819. El mismo año, el Ministerio de Medio Ambiente aprobó la Licencia Ambiental otorgándole la Categoría I. Esto implicaba la elaboración del Estudio de Evaluación de Impacto Ambiental Analítico Integral (EEIA), que por el grado de incidencia en el ecosistema incluía en sus estudios un análisis detallado y la evaluación de todos los factores del sistema ambiental.

El gobierno boliviano espera que los 290 megavatios de la hidroeléctrica Ivirizu ayuden a cumplir con sus planes de exportación de energía a países vecinos como Brasil y Argentina, a partir del 2022.

Para los expertos ambientales consultados por Mongabay Latam para este reportaje, la producción de esa energía tendrá un costo muy alto para la biodiversidad de la zona, tomando en cuenta que se trata de un ecosistema frágil y con alta presencia de flora y fauna.

Para los pobladores, su preocupación gira alrededor de los puestos de trabajo y la ubicación de las torres para las líneas de transmisión de energía.

La Empresa Nacional de Electricidad (ENDE) insiste en que los planes de mitigación reducirán “al mínimo”el impacto a la biodiversidad.

Árboles tumbados en la vía

Es la primera semana de junio y la vía que une Monte Punku con el sur del Parque Nacional Carrasco, que existe desde antes de la creación del área protegida en 1991, está cerrada. El acceso es ahora por una vía paralela, más angosta y accidentada, que conduce hasta el campamento de los trabajadores de la empresa Sinohydro.

Mongabay Latam ha podido recorrer una parte de esta antigua vía para recoger las versiones de los trabajadores y autoridades locales, y buscar una respuesta a una pregunta que muchos se hacen por estos días en Bolivia: ¿Cuál será el impacto de la construcción de esta nueva hidroeléctrica en el ecosistema del Parque Nacional Carrasco?

Mientras nos adentramos en la zona boscosa del área protegida, lo primero que salta a la vista es el invariable trajín de camiones que entran y salen con material, levantando polvo y haciendo mucho ruido. En los espacios angostos, los vehículos tienen que detenerse para darle el paso al que viene. No pueden pasar los dos al mismo tiempo. En algunos tramos se ven troncos y ramas amontonados en ambos lados del camino, también tractores y grupos de obreros removiendo la tierra, una faena que -según el contrato con Sinohydro- debe concluir con el mejoramiento y la ampliación de esta vía, que conducirá al espacio donde se emplazará la represa que forma parte del proyecto hidroeléctrico.

Luego de pasar el primer puente, las montañas verdes introducen al visitante dentro de la impresionante vegetación que forma parte del parque. Se siente más calor y humedad. El sonido del agua es más fuerte y también el de la avifauna. Según el Atlas de Áreas Protegidas del Sernap, el Parque Nacional Carrasco alberga 247 especies de aves, aunque los expertos estiman que el número bordea las 700, solo que aún no han sido identificadas.

Los cambios en este espacio natural siguen apareciendo a lo largo del camino que debe ser ampliado a seis metros de ancho en los primeros 20 kilómetros y terminará con 3,5 metros en el kilómetro 30. Detrás de un letrero donde se lee “Zona de acopio 3”, se observa una ruma de troncos apilados en orden en un amplio espacio que parece recién despejado. Más adelante, una enorme pala mecánica remueve una y otra la tierra para depositarla en un camión. Una actividad que les tomará todo el día, según los trabajadores.

Esta vía es usada por los campesinos que viven en las comunidades del municipio de Pocona y que pertenecen a los sindicatos agrarios Monte Punku A, Monte Punku B y Turumayo. Pero no son los únicos. El camino llega también hasta la comunidad Yungas de Vandiola (municipio de Totora) cuyos habitantes tienen cultivos de hoja de coca en la zona de amortiguamiento del área protegida. Aunque según un reporte de 2016 de la Oficina de las Naciones Unidas contra la Droga y el Delito (UNODC), estas plantaciones han invadido 642 hectáreas de la línea roja o zona de conservación estricta del parque nacional.

Todo este movimiento existe ahora mismo dentro de una de las áreas protegidas más biodiversas de Bolivia.

Deforestación en el área de la represa

El Parque Nacional Carrasco cuenta con regiones de alta sensibilidad ecológica. Su gran variedad de ecosistemas está relacionada con la gradiente altitudinal que posee que va desde los 300 hasta los 4700 metros sobre el nivel del mar. Una condición que la convierte en una de las áreas protegidas con mayor biodiversidad en el país, aunque es una de las menos estudiadas.

Hasta el 2017 se identificaron 614 especies de plantas superiores, aunque el Servicio Nacional de Áreas Protegidas (Sernap) calcula que superan las 3000. Su flora es muy diversa, destacan los bosquecillos de queñua en ambientes de páramo yungueño, el nogal, y los pinos de monte.

Esta área protegida es, además, un reservorio de recursos genéticos de variedades económicamente importantes como el cedro (Cedrela odorata) y la mara (Swietenia macrophylla). Y alberga en su interior 300 especies de orquídeas, de las cuales 50 son endémicas.

El Alcalde de Pocona, Julián Rodríguez, le contó a Mongabay Latam que en la zona donde se construirá la represa -a 30 kilómetros de Monte Punku, pasando el valle de Sehuencas, en un lugar denominado Yanamayu- existen especies como las Kewiñas (Polylepis spp), alisos (Alnus acuminata) y otros árboles maderables de importancia.

-¿Se van a talar 500 hectáreas de esos árboles?

–Así es. Por eso tenemos la política de mitigación y reforestación, respondió.

Sinohydro delegó el trabajo a un contratista (un microempresario) para que empiece en abril de este año el retiro de los árboles. Ingresaron 35 trabajadores armados con motosierras y machetes. “Hemos avanzado unas nueve hectáreas y el contratista se ha perdido sin pagarnos. Teníamos que hacer 140 hectáreas”, confirmó en una entrevista con Mongabay Latam uno de los trabajadores. Aunque Ende Valle Hermoso señaló, a un medio local, que la deforestación bordearía las 98 hectáreas. Mongabay Latam solicitó información en dos oportunidades en oficinas de la estatal Ende en Cochabamba, pero no obtuvo ninguna respuesta hasta el cierre de este artículo.

Según el pliego de especificaciones, la represa tendrá 125 metros de altura máxima sobre cimientos, 90 metros sobre cauce y una longitud de coronación de 324 metros. Para su construcción primero se desviará el cauce del río.

Para Carmen Capriles, ingeniera agrónoma y activista ambiental, la deforestación y las obras planificadas en la zona afectarán el circuito natural de los animales. Capriles explicó que el proyecto hidroeléctrico se desarrolla en una de las regiones más biodiversas del país, donde destacan animales como el jaguar y el oso jucumari. Y agregó que uno de los problemas también es que se trata de un área protegida poco investigada, por lo tanto no se sabe con exactitud qué otras especies que habitan el parque pueden verse afectadas.

Los pocos estudios que se han realizado confirman la presencia de especies amenazadas o endémicas como es el caso de la famosa rana “Romeo” (Telmatobius yuracare), que enfrenta el drama de la extinción y cuyo hábitat está justamente en el valle de Sehuencas.

Ende Valle Hermoso (una de las 11 empresas filiales de la estatal Ende Corporación) señala que una de las medidas de mitigación será “rescatar las bonitas orquídeas que viven sobre los árboles y los animales que viven en la zona. Después de ser rescatados serán devueltos al bosque. (…) También se plantarán nuevos árboles en sitios establecidos para recuperar los que han sido desalojados”.

Esto fue confirmado por el alcalde de Pocona, quien precisó que están controlando las obras para que “el proyecto no afecte demasiado a la flora y fauna”, aunque luego reconoció que “como cualquier proyecto de una forma u otra va a llegar a afectar”.

Para ello dijo que aplicarán las políticas de mitigación. “La biodiversidad que tenemos allí adentro, las lagartijas, ranas, sapos y todo los bichos, dentro del proyecto se especifica que deben ser trasladados con mucho cuidado a zonas más seguras de su hábitat natural para que no sean dañados”, explicó Rodríguez.

Mongabay Latam insistió con los funcionarios de ENDE Valle Hermoso sobre las medidas de mitigación, sin embargo, la única respuesta que recibimos de la responsable de Comunicación, fue que la ingeniera Fátima Sandoval es que tienen viveros con especies de plantas y árboles que usarán para reforestar la zona intervenida. Hasta el cierre de esta edición no entregaron la información que se comprometieron a compartir.

En la oficina del Parque Nacional Carrasco, administrado por el Sernap, el guardaparques a cargo indicó que debíamos preguntarle al Director del Sernap, Abel Mamani, cuya sede está en la ciudad de La Paz, a donde acudimos sin éxito. Según la comunicadora del Sernap, Mamani delegó la entrevista al director del Parque Carrasco. Hasta la fecha ninguna de las dos autoridades ha respondido a nuestra solicitud.

¿Un plan de mitigación imposible?

Ante la incertidumbre de si existen experiencias exitosas del traslado de fauna en la construcción de proyectos hidroeléctricos, como lo planea hacer ENDE Valle Hermoso, Mongabay Latam buscó a dos expertos para consultarles.

La bióloga Liliam Apaza, quien trabaja en el Museo de Historia Natural Noel Kempff Mercado, se pregunta sobre qué especies de la gran biodiversidad de fauna trasladarán. Apaza señala que en Colombia se han dado casos de traslado en los que solo se ha hecho monitoreo con algunas especies, pero no hay documentación científica y sistemática que dé cuenta de casos «exitosos».

El biólogo Vincent Vos, investigador de CIPCA, mencionó que en Europa se trasladaron arroyos completos incluyendo peces o anfibios y que hay algunos ejemplos de relocalización de mamíferos y aves, aunque los resultados son algo cuestionables.

Vos considera poco creíble que puedan trasladar la fauna, tomando en cuenta las dificultades técnicas para atraparlas, los altos costos y las limitaciones ecológicas.

Otra dificultad que tanto Apaza como Vos ven es que muchas especies son territoriales y que la gran mayoría moriría al ser reintroducida en otra zona.

“Lo que evidentemente habrá es un desplazamiento de fauna, pero será un proceso de sobrevivencia de los mismos ante la destrucción de su hábitat”, puntualizó el conservacionista y experto en la elaboración de proyectos dentro de áreas protegidas Marcelo Arce.

Mientras que el biólogo Donovan Osorio criticó que se produzca energía con el fin de exportarla justo en un área de tanta fragilidad ecológica, en un parque nacional.

Si bien hasta el cierre de esta publicación no se dieron a conocer los componentes ni los detalles de las acciones de mitigación que se ejecutarán, se estima que en los trabajos que se adjudicaron se contempla el uso dinamita porque Ende Valle Hermoso solicitó una licencia para actividades con sustancias peligrosas, que fue aprobada el año 2016 y que tiene una vigencia de 10 años.

Durante un encuentro con la prensa, Mongabay Latam le preguntó al Ministro de Energías, Rafael Alarcón, sobre las medidas de mitigación que contempla el Estudio de Evaluación del Impacto Ambiental del Proyecto Hidroeléctrico Ivirizu. La autoridad contestó que todo está establecido en el diseño y en la licencia ambiental, sin dar más detalles. “Existe un conjunto de acciones que se están coordinando con el Servicio de Áreas Protegidas, Ende y el Ministerio de Medio Ambiente para la mitigación del impacto ambiental”, dijo a este medio.

-¿Existen medidas adicionales de mitigación al tratarse de un Parque Nacional?

-Insisto, la licencia ambiental contempla la aprobación de medidas que estamos siguiendo, respondió.

Estas acciones están contempladas dentro del Plan de mitigación, elaborado a partir de los resultados de la Evaluación de Impacto Ambiental cuyo alcance aún no se conoce. Ende Valle Hermoso no lo tiene publicado en su web y no contestó el cuestionario enviado por Mongabay Latam solicitando esa información, tras las dos visitas hechas a fines de mayo en sus oficinas de la ciudad de Cochabamba.

Lea más: El bosque seco, una joya amenazada en el Ecuador

Cronología de una millonaria inversión

1.De septiembre de 2014 a septiembre de 2015 se ejecutó el estudio de Factibilidad Técnico Económico y Social del Proyecto de Aprovechamiento de la Cuenca Hidroeléctrica del río Ivirizu, estudio que fue contratado por un monto de más de 12 millones de bolivianos (1 766 030 dólares).

2.En septiembre de 2015 se inició la ejecución del estudio de Diseño Final y Documentos de Licitación del proyecto, estudio que fue realizado por la Asociación Accidental MAUD de España por un monto que también superó los 12 millones de bolivianos (1 744 915,96 dólares). Fue financiado por la Empresa Eléctrica Valle Hermoso S.A.

3.El 25 de julio de 2016, el gobierno boliviano declaró de interés y prioridad nacional la ejecución del proyecto mediante la Ley 819. El mismo año, el Ministerio de Medio Ambiente aprobó la Licencia Ambiental otorgándole la Categoría I.

4.En noviembre de 2016, presentaron el Estudio de Evaluación de Impacto Ambiental Analítico Integral (EEIA) al Ministerio de Medio Ambiente.

5.Tras obtener la ficha ambiental, en septiembre de 2017, se firmó el contrato con la empresa china Sinohydro para construir la primera fase de la planta de la hidroeléctrica Ivirizu, represa y las vías conexas, por unos 172 millones de dólares, monto menor al presupuestado de 190 millones de dólares.

6.La segunda fase también se adjudicó a la china Sinohydro por 96 millones de dólares, nueve millones menos de lo planificado para la construcción de túneles y las vías de acceso.

7.Todo el proyecto hidroeléctrico tiene cinco fases cuyo costo total alcanza los 549 millones de dólares, financiados por el estatal Banco Central de Bolivia. Su conclusión está prevista en cuatro años. La empresa colombiana Ingetec estará a cargo de la supervisión de las obras. En tanto, la empresa estatal Ende Transmisión construirá la línea de conexión y la subestación de energía del complejo.

8.Las tres fases restantes debían ser adjudicadas en octubre de 2017, pero aún están en licitación, como se puede ver en las convocatorias de Ende Valle Hermoso.

El futuro de los planes energéticos de Bolivia

El complejo de Ivirizu constará de dos centrales hidroeléctricas en cascada, una denominada Sehuencas que producirá 188,62 MW con tres turbinas Pelton y otra llamada Juntas que generará 64 MW con dos turbinas Francis. Las dos estructuras recibirán agua del río Ivirizu en una represa de 90 metros de altura y transmitirán la energía por medio de una línea de alta tensión de 230 kilovoltios, que alimentarán al Sistema Integrado Nacional, desde donde se exportará el excedente, luego de satisfacer la demanda interna.

El gobierno de Evo Morales planea cumplir así con su meta de convertir a Bolivia en el centro energético de la región. Al menos cinco hidroeléctricas más se construirán en Cochabamba, además de Chepete-El Bala (La Paz) y Rositas (Santa Cruz), dos de las más grandes que se encuentran en fase de estudio.

El ministro de Energías adelantó, además, que en agosto próximo podría estar lista la línea de transmisión “Juana Azurduy de Padilla” para exportar a Argentina, y por primera vez, la energía eléctrica generada en Bolivia.

Fuente: https://es.mongabay.com/2018/07/bolivia-hidroelectrica-ivirizu-parque-nacional-carrasco/

Read more...